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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Padronizar "Português Moçambicano"

A ideia de padronizar o «português moçambicano» é prematura, pois o léxico da língua portuguesa falada em Moçambique «ainda não tem elementos estabilizados», defendeu hoje Perpétua Gonçalves, docente da Faculdade de Letras na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

 

Perpétua Gonçalves sustentou hoje a viabilidade de se manter em Moçambique o ensino da língua portuguesa com um padrão do «português europeu», quando apresentava o tema O Léxico do Português de Moçambique/Viagem em Busca do Tesouro, que fechou as IV Jornadas de Língua Portuguesa, organizadas pelo pelo leitorado do Instituto Camões na UEM e pela Secção de Português da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, com o apoio da Rede do Instituto Camões em Moçambique.

 

Falando à Agência Lusa, no final das jornadas, Perpétua Gonçalves frisou que «é cedo encetar a padronização do chamado português moçambicano, porque lhe faltam elementos estabilizados e que possam ser assumidos como património linguístico comum por todos os falantes da versão moçambicana do português».

 

«Padronizar o quê? Porque os próprios falantes do chamado português moçambicano operam a língua com vários códigos gramaticais pelo facto de estarem inseridos numa comunidade multilingue e multicultural», sublinhou Perpétua Gonçalves.

 

Por outro lado, o facto de apenas cerca ou menos de 10 por cento da população moçambicana ter a língua portuguesa como primeira língua retira legitimidade à pretensão de tornar oficial a versão moçambicana do português, assinalou a investigadora.

 

«Mesmo os moçambicanos mais cultos lidam com a língua portuguesa através das chamadas competências múltiplas, o que significa que não falam da mesma maneira e não oferecem por enquanto material para a padronização da língua», acrescentou aquela docente.

 

«Tentar impor uma tendência comum no trato da língua portuguesa num contexto como o moçambicano pode ser recebido como um choque por parte de determinados segmentos de falantes», acrescentou Perpétua Gonçalves.

Por seu turno, Conceição Siopa, leitora portuguesa do Instituto Camões na UEM, fez uma «avaliação positiva» das IV Jornadas de Língua Portuguesa, dado que o evento permitiu «de certa forma, uma radiografia do ensino do português em Moçambique e na África Austral».

 

De acordo com Conceição Siopa, «as comunicações feitas nos dois dias das jornadas mostraram a necessidade de o ensino da língua portuguesa em Moçambique ter como centro as carências dos estudantes e não numa base em que se impõe a perspectiva do professor».

 

Sobre o ensino da língua portuguesa na África Austral, onde apenas Moçambique e Angola têm este idioma como língua oficial, a docente portuguesa na Universidade Eduardo Mondlane apontou «a necessidade de se capitalizar o forte interesse dos países da região no conhecimento da língua».

«Há uma janela de oportunidade para os falantes da língua portuguesa de Moçambique e Angola aberta pelo crescente interesse dos países da África Austral. O português é já língua de trabalho nas cimeiras da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)», sublinhou Conceição Siopa.

 

Fonte: Lusa

www.instituto-camoes.pt/mocambique/padronizar-portugues-mocambicano-e-prematuro-perpetua-goncalves.html



publicado por Sadiri Gonzales às 07:01
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